segunda-feira, dezembro 31, 2012

Viagens e seus micos

Viajar tambem e se divertir com as gafes e confusoes. Claro que a nossa viagem nao ia passar em branco. Tivemos ate agora dois grandes momentos especiais: Um em Rothenburg e um em Kassel. Em Rothenburg... frio, chuva, cinco graus que mais pareciam menos 5, vento cortante. Entramos no museu do crime e paramos em um cantinho para nos secar antes de efetivamente entrar na exposicao. Ao nosso lado estava um casal de velhinhos todo emapacotado, embrulhados em uma capa de chuva que mais parecia uma sacola plastica. Ele aparentava 65 anos e ela, em uma cadeira de rodas, apatica a tudo, mais de 80. Ao ver esta cena o Cezio comenta com o Victor: Aqui nao deixam nem os velhinhos morrerem em paz, ja plastificam os pobres coitados e levam pro museu. Continuamos tirando todos os milhares de casacos, cachecois e gorros e conversando bobagens outras, quando ouvimos do cantinho dos velhinhos uma voz "Voces sao brasileiros?". Pois e.. o tal velhinho, com a sua sogra, era de Sao Paulo e estava la a passeio tanto quanto nos. Acho que ele tinha alguma intencao em levar a sogra para o museu do crime. De qualquer forma, toda vez que vamos fazer qualquer comentario, lembramos dos velhinhos plastificados. A segunda foi ontem, em Kassel. Estavamos passeando no Wilhelmshohe park, no castelo onde ha um grande museu de arte. Andando por um dos lados, nos deparamos com uma placa que indicava a entrada da Capela. Como ate agora entramos em todas as capelas e igrejas possiveis, fomos tambem atras desta. Ao chegarmos na porta, alguem por dentro abriu e nos convidou para entrar. Totalmente sem jeito, o Cezio responde em portugues que o Victor estava tirando o casaco. Nao tivemos outro jeito, senao entrar. Quando entramos, a surpresa: um culto na capela. A capela lotada com cerca de 20 pessoas. Sentamos no segundo banco, bem de frente ao pastor. Nao tinha como sair antes do fim. Fingimos que entendiamos toda a pregacao, rimos quando o pastor ria e cantamos com a ajuda do hinario que nos cederam, colando as paginas dos vizinhos(dado que nao entendiamos uma unica palavra que estava sendo dita). No final, cantamos uma musica de natal e o pastor saiu rapidamente pela porta. Uffaa! Mas o mico ainda nao tinha acabado. O pastor estava na porta cumprimentando cada um dos fieis. Nao tivemos outro jeito a nao ser cumprimenta-lo e admitir, em ingles, que nao tinhamos entendido muita coisa, mas que tinhamos gostado do culto. Detalhe que so percebemos que era um culto luterano quase no final, quando vimos o nome do Martinho Lutero no hinario. Ate entao o fato do "padre" ter uma alianca do dedo e estar com uma roupa muito diferente nao tinham feito sentido na nossa cabeca.

domingo, dezembro 30, 2012

A Alemanha e suas velocidades

Quando decidimos passear de carro pela Alemanha claro que a primeira coisa que senti foi empolgação total. Boas pistas e bons carros pra quem gosta de dirigir é um prato cheio. Porem, este sentimento foi sobreposto em 5 minutos por um pavor de não falar uma palavra em alemão e de não saber as placas. Bom.. como ja falei antes, o bicho não era tão feio quanto eu o pintei. Dirigir aqui foi muito mais facil do que eu imaginei. As pistas, em 90% das vezes são verdadeiros tapetes, e com o tempo a gente vai adivinhando o que significam algumas placas e ignorando outras que simplesmente não fazem o menor sentido (como uma que vou postar a foto aqui depois de um monte de gente juntinho com umas setas. O que é? Pra tirar foto com a familia??). As velocidades.. muitas são explicitas.. escritas direitinho na beira da pista. Mas algumas são implicitas, claras pra quem ja conhece o transito alemão. Por exemplo, ao entrar em uma cidade, a velocidade cai automaticamente para 50 ou 30, dependendo do tamanho da pista. Hoje eu ja sei disso, mas no inicio quem me contava era meu super amigo GPS, que me salva da maioria das enrascadas de carro. Ja nas autobahns, a velocidade media costuma ser por volta de 100 a 120. E aqui, 120 é uma velocidade bem tranquila, algo como andar a 70 em uma rodovia brasileira. Agora... fazendo inveja aos marmanjos de plantao.. existem partes das Autobahns (que não são a maioria, mas existem) onde não existe limite de velocidade e, com toda a sinceridade, não faço nem ideia a quantos km/h passam aquelas mercedes e BMWs do meu lado esquerdo. Sei que andando a 120 não ultrapasso ninguem e fico quietinha, numa boa, so vendo os coleguinhas zunirem pelo lado. Claro que depois de tantos dias na estrada, quase me sentindo uma alemoazinha, hoje ja coloquei uma velocidade em que ando tranquila e não empaco ninguem na estrada: 150. Nesta velocidade andei na media da maioria das pessoas sem parecer uma carroça de cavalo atrapalhando o transito. Apesar disso as BMWs e Mercedes continuaram zunindo do meu lado. Elas devem ter velocidade infinita, velocidade da luz, qualquer coisa assim. E também devem ter algum pneu que cola no chao ou algum ima que gruda na pista. Eu, a 150 ja começo a sentir o carro dar sinal de vida (por isso não passo disso, quem me conhece sabe que sou muito conservadora. Não ia arriscar colocar mais so pra correr risco), imagina esse povo a 200/h. O pneu encosta no chão? Bom.. deixa elas pra lá, e eu aqui, tranquilinha no meu Fiesta alugado. Devagar e sempre!

A cidade do Natal

Dia 27/12 seguimos para Rothenbug Ob der Tauber, uma tipica cidade medieval que foi inspiracao para algumas cenas de Harry Potter. Nossa amiga chuva, fiel companheira de viagem, não se afastou de nos um so momento e ainda trouxe o vento, fazendo a temperatura de 5 graus parecer bem menos. Nem por isso deixamos de bater perna ate o sol se por. Rothenburg é a cidade do natal alemao e está na rota romantica. Tudo tem cara de Natal. La fica a maior loja de artigos natalinos que também abriga o museu com este tema. Para ver esta loja leva-se, pelo menos, 1h. Sao milhares de becos e salas com todas as decoraçoes possiveis e imaginaveis de Natal. Das classicas bolas em varias cores, a chocolates, pepinos (?!) e ate um vaso do Romero Brito. Me senti na Disney, inclusive com preços tao salgados quanto. La esta tambem o museu mais interessante que fomos ate agora (apesar do nome pouco convidativo), o museu do crime. São 3 grandes andares com varios objetos ligados e nao ao crime. De bulas papais a cintos de castidade e objetos para decapitaçao. Horas de diversão dependendo apenas da curiosidade. Uma libaçao gastronomica que é indispensavel por aqui é comer uma schneeball, grande bola de biscoito doce tipica desta cidade. O centro historico de Rothenburg é todo rodeado de muros de pedra e varias torres. La dentro ainda é possivel ver muitas construçoes de mais ou menos 1100. Em uma das extremidades ha um lindo e grande jardim onde era um castelo e de onde é possivel avistar, de cima, toda a regiao do Tauber. La houve mais um dos injustificados massacres contra judeus e possui um memorial com uma das paredes remanescentes do castelo. A cidade é mesmo um bibelo. Casinha de bonecas. Quando a noite cai (por volta de 15:30), fica ainda mais bonitinha toda cheia de luzes, que sao as unicas coisas que podem ser apreciadas a esta hora, dado que todo o comercio do centro fecha as 16 horas. Ou seja, 17h, tudo escuro, sem ninguem na rua, a unica opçao é ir para o Hotel. Na verdade hospedarias. São varias pousadas por todo o centro e em volta dele para todos os gostos e bolsos. Nada muito baratinho, nao. Ficamos em uma simples, por 74 euros sem cafe da manha, com escada (sem elevador), pia dentro do quarto e banheiro que nao cabiam duas pessoas juntas dentro (apesar da garrafa de agua mineral com copos de cristal que nos deram de cortesia da casa). Para terminar, passeamos, ao anoitecer, pelo cemiterio em frente a nossa Gasthaus. Todos os tumulos devidamente decorados, com milhares de velas acesas, anjinhos, flores e ate guirlandas. Tumulos desde 1800 das mais variadas formas e tamanhos. Até um de um proprietario que ainda nao morreu e esta la guardando seu lugarzinho onde esta escrito apenas a data de nascimento. Um passeio diferente, talvez estranho, mas interessante.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Para Heidelberg

Dia 25, seguimos de manha para Heildelberg. Vale citar que descobrimos aqui que o feriado de Natal e 25 e 26 e que, portanto, pouco teriamos aberto nestes dois dias. Interessante tambem citar que comercios e supermercados (sim, supermercados!)fecham aos domingos. Para Heidelberg consegui um negocio muito bom no Hoteis.com, um quarto por preco bastante amigavel no Crowne Plaza. Momento de realeza. Em uma viagem quase mochilao, se hospedar em um Crowne eh quase momento familia real. Ainda ficamos em um andar exclusivo para membros do clube de vantagens.. quarto maior, com mais regalias. Em cima da mesa, alem de duas garrafas de agua de cortesia com um bilhetinho do gerente, um panetone com uma cartinha dando feliz Natal. Pequenos mimos que deixam qualquer um feliz. Fomos ver o castelo no restinho de sol que ainda tinhamos. Chovia bastante e, apesar do frio nao estar tanto (em torno de 10 graus), o vento e a agua fria dava uma sensacao bem menor. O castelo nao estava aberto. Na verdade isto significou que nao tinha ninguem na porta para cobrar ingressos (estranho) e que o museu de farmacia, o grande tonel de vinho e as visitas guiadas nao estavam diponiveis. De qualquer forma entramos no patio e nos jardins do castelo de graca, tiramos algumas fotos no meio do vento que quase nos arrancava os gorros da cabeca e congelava os dedos das maos. A vista la de cima da cidade de Heidelberg e algo imperdivel. A arquitetura do catelo tambem e muito linda. Apesar de todas as destruicoes que passou, muita coisa esta la pra contar a historia. A ultima destruicao foi um raio em 1700 e qualquer coisa que fez boa parte do castelo pegar fogo, dado que tudo naquela epoca era feito de madeira. O que sobrou foram as partes de pedra e marmore. Um dos predios foi reconstruido em 1800 e tem la moveis e pedacos de outros castelos da redondeza. A visita guiada (que fizemos no dia seguinte) dura uma hora, da acesso a partes fechadas do castelo e vale a pena. Custa 4 euros por pessoa ou 10 por familia. Interessante ver o castelo por dentro e ouvir estorias como a do Rei que pesava 200 kg, tinha circunferencia de 2m e que era carregado todos os dias pra cima e pra baixo naquelas escadinhas do castelo por 5 servicais porque fazia questao de ir ver o que estava acontecendo la embaixo mas nao dava mais conta de andar. Andamos tambem pela Hauptstrasse, a rua principal do centro com varias lojas (fechadas..) cafes e restaurantes, famosos ou nao. Aberto apenas um perdido Starbucks onde tomamos um especial de gingerbread para esquentar o corpo e uma padaria com letreiros em alemao, ingles e chines (??) com paezinhos, croissants e sonhos gostosos e em conta. Pelo menos muita gente andava pelas ruas tao perdidos quanto nos.

Nos e a cidade fantasma

Como referi no post anterior, a ausencia de pessoas em Rüdeshein era o que realmente veriamos pelo resto do dia. Chegamos em Mainz ao anoitecer, por volta de 16:30. Cidade grande, calma, bonita, espacosa. O hotel, Advena, muito bom, com estacionamento por perto (apesar de pago, como era Natal, nos foi orientado a nao pagar porque a Polizei nao iria olhar. Ehhh.. Ate aqui na Europa a lei tem seus dias de folga) e a apenas 10 mins de caminhada do centro. Nos instalamos e fomos buscar algo para comer, conhecer, fazer, naquela noite de Natal. 17:30, noite escura, todas as lojas fechadas, pouquissimas pessoas na rua. Era mesmo uma sensacao de 2 am. Vimos uma loja especializada em Narguile e umas duas lanchonetes de comida oriental abertas. Talvez pela cultura diferente do ano novo. Descobrimos ser Mainz a cidade de Gutemberg, estavamos no berco da civilizacao escrita! Andando pelas ruas fechadas para carros (coisa que vimos muito pelas cidades que andamos, vimos alguns monumentos e a cupula da Catedral. Um pouco antes da Catedral um unico restaurante aberto dava sinais de existirem vidas na cidade. Como estava cheio, muitos fumantes, cardapio nao muito convidativo, continuamos nosso passeio noturno deserto. Resolvemos ver se a catedral estava aberta e qual nao foi nossa surpresa quando nos deparamos com a missa do Galo. A Catedral era enorme, mas parecia pequena para os milhares de alemaes empoleirados por bancos, cadeiras, arquibancadas, amontoados em pe... Em cada cantinho da igreja tinha uma televisao com a transmissao do que se passava no altar, tal era a impossibilidade de ver a missa. No ar, cheiro forte e ambiente esfumacado de incenso. Arranjamos um cantinho e ficamos ali tentando desvendar, pela ordem logica da missa, o que estava se passando. Algumas vezes ainda recitavamos o que deveria ser em portugues. Ouvimos o coro das criancas que cantavam os canticos da missa, rezamos pelos nossos queridos e comungamos. Foi uma experiencia diferente comungar em alemao... a hostia era bem mais dura que a nossa brasileira. Demorou muito mais para se desfazer na boca. Talvez por isso eu tenha visto tanta gente mastigando (coisa que na minha catequese eramos quase jurados de morte se fizessemos). Eu nao fiz.. lembrei do meu professor de religiao dizendo que nao podiamos mastigar o corpo de Cristo. Vai que ele me castiga no dia do aniversario dele. Heresia! Depois do termino da missa continuamos a nossa peregrinacao por algo para comer. Ja eram 19h. Perdidos no meio de alguma rua, encontramos uma conveniencia com muitas bebidas, alguns artigos de escritorio e miojo. Estava ai nossa ceia. Nos comunicamos com muitos gestos e palavras ininteligiveis com o senhor muito agradavel que atendia, mas que nao falava uma unica palavra em ingles. No final nos entendemos bem.. ele falando em alemao, nos em portugues/ingles. Compramos miojo, um pote de pringles, nestea, e saimos de volta para o hotel. Conversando, comendo batatinhas e cantando musicas de natal naquele breu desertico sem fim.

terça-feira, dezembro 25, 2012

Entao e Natal

Comecou oficialmente nossa temporada de direcao na Alemanha. Tenho que dizer que meu medo de dirigir aqui foi efetivamente muito maior do que a realidade. Foi tudo muito tranquilo. Algumas placas ainda hoje nao fazem muito sentido na minha cabeca, mas tambem nao fazem muita diferenca. O resto deduz-se facil. Ficamos tristes com as altas temperaturas de quase 15 graus, esperavamos neve para o Natal, mas admito que para uma neofita foi otimo ter uma linda pista seca e sem neve para a grande estreia. Na saida paramos em uma ruazinha em um bairro residencial qualquer e fomos tomar nosso cafe da manha em uma padaria. Como nao havia mesa disponivel, a atendente, muito solicita perguntou, em alemao, o que entendemos que seria se nos importariamos de sentar em uma mesa com mais duas senhoras alemas. Elas foram muito agradaveis tentando conversar conosco em alemao e depois em poucas palavras em ingles. Acabamos tendo um bom papo entre alemao e ingles. Fomos de Köln a Rüdeshein praticamente beirando o Reno. Vistas, vistas e mais vistas. Muitas videiras tambem. Paramos para ver o rochedo da Loreley. Tudo muito lindo e muito tranquilo, a nao ser por uma parte da pista que muito me lembrou a serra gaucha... Mal passava um carro e meio. Tensao total vendo quem vinha na contra mao. Sorte so termos nos defrontado com um unico caminhao e poucos outros carros pequenos. Agora imaginem isso molhado com neve... eu iria a pe, empurrando o carro. Rüdeshein foi muito recomendada a nos e realmente deve ser uma cidadezinha agradabilissima - fora do dia de Natal. Chegamos por volta de 14h e se viam poucas vivas almas. Na verdade ate tinham algumas, desmontando a enorme Weihnachtsmarkt que pegava todo o centro e suas ruelas e outras se preparando para pegar cruzeiros fluviais que esperavam nos ancoradouros em frente. Todas as lojas estavam fechadas, o centro de informacoes aos visitantes tinha um aviso que so abriria novamente em janeiro, algumas lojas tinham avisos de que voltariam a abrir em marco. A arquitetura e muito pitoresca, pequenas ruelas com cara de colonia lembram vagamente o beco diagonal do Harry Potter. Tudo com muitas luzes, bonecos e decoracoes de Natal. La deve parar boa parte dos cruzeiros fluviais, pois existem varios "ancoradouros". A vista do Rio Reno e estonteante. Com a sensacao de termos saido de uma enorme festa do dia anterior, com tudo arrumado, mas ninguem mais nas ruas, partimos para Mainz.

De Lisboa a Köln

No dia 22/12 iniciamos nossa parte alema da viagem. Estavamos com hotel reservado por dois dias e passeios para o dia 23, incluindo as Weihnachtsmarkt. Chegamos as 17:30 e, depois de pegar o carro por salgadissimos quase 500 euros 10 dias, fomos para o hotel. Furo numero um: A reserva estava errada. No meio de todas as reservas, fiz esta para dia 22 de janeiro... tsk tsk tsk. O hotel ainda nos ofereceu um quarto por quase o triplo do preco que haviamos pago, mas resolvemos ir em busca de outras opcoes. A logica mais logica seriam hostels, claro. Peguei uma lista, busquei um bem cotado no tripadvisor e la nos fomos. Um lugarzinho meio escondido... pouca gente... mas... sem vagas! O atendente gentilmente ligou para outro hostel e pediu vagas para nos. Nisso ja eram 19h da madrugada. Breu total, pouca gente na rua, frio, chuva. Nao tinhamos outra ideia para ir, a nao ser buscar este tal hostel. Bom.. uma coisa pode-se dizer do hostel: Muito bem localizado. Ficamos no 3o andar de um predio de 4 andares sem elevador. Um quarto com tres camas com os lencois e fronhas (devidamente furados) para arrumarmos. Banheiros do lado de fora com vaso sanitario e mictorio, nao muito limpos. No fim do corredor os chuveiros eram comunitarios de homens e mulheres (!!). O aquecedor do quarto tambem nao funcionava muito bem. Os lockers ficavam nos corredores. Como haviam poucas vagas por perto, estacionamos em um velho posto de gasolina desativado com um grande aviso de nao estacione, apesar dos varios carros apinhados por la. Obs: 85 euros (sem cafe) por uma noite na qual ouviamos os ebrios vizinhos de quarto chegarem e vomitarem no banheiro ao lado. Dia 23/12. Acordamos as 5 am, procuramos uma outra vaga pro carro e, andando a pe ali por perto descobrimos bons hoteis com diarias que variavam de 70 a 100 euros por noite com cafe da manha. Arrependimentos a parte, depois que o sol acordou as 9 am, saimos para efetivamente conhecer a bela cidade. Muitas decoracoes de Natal, os Weihnachtsmarkts fofos com muitos artesanatos, um Starbucks pit stop pra recompor as energias e.... descobrimos o ouro! Um recem inaugurado Ibis Budget nos hospedou linda e confortavelmente por maravilhosos 39 euros (sem cafe) e um largo estacionamento em frente por 4 euros 24 horas. Vizinhanca agradavel, um pouco distante do centro, em uma area industrial, mas bem tranquila. Nosso dia terminou cedo. Fomos para o hotel, para uma merecida e reconfortante noite de descanso, quando dormimos do por do sol (4 pm) ao quase nascer do sol (7:30 am).

terça-feira, dezembro 06, 2011

Minha (re) descoberta da Tam

Eu já viajei um bocado. Voos nacionais e internacionais. E quem viaja de classe econômica já sabe o que vai lhe esperar: cadeiras apertadas, uma noite insone, comissários educados e impessoais.. Se der muita sorte talvez um kit com escova de dentes.Bem, desta vez que comprei a passagem em uma big promoção, certamente não seria diferente. Na verdade, já me preparei para uma noite ultra desconfortável como foi meu ultimo voo para os EUA em um 727 que no Brasil faz apenas voos interestaduais.
Qual não foi a minha surpresa em perceber que a TAM esta diferente de alguma forma. Prestaram atenção em pequenos detalhes (e grandes também) que fazem a sua viagem muito mais prazerosa. Afinal, as ferias começam e terminam geralmente em um avião, então, a sua boa experiência deve começar exatamente por ai, como diriam os designers.
Logo na entrada uma grande surpresa, minha perna cabia perfeitamente no banco e ainda sobrava espaço, coisa rara no mundo atual da aviação. A minha frente uma televisão individual (que seria minha grande companheira da noite) e os comissários oferecendo água e balinha.
O serviço foi fora do comum. Todos os comissários muito bem humorados traziam pequenos mimos que, junto com a minha maravilhosa cadeira espaçosa com televisão, me fizeram sentir em classe executiva.
A noite não saiu muito da rotina insone. Os passageiros com um pouco mais de sorte que pegaram cadeiras no meio puderam deitar (o voo estava pela metade), eu fiquei sentadinha tentando achar posição entre duas cadeiras, como todo mundo já fez algum dia na vida, não conseguiu e ainda acha que pode fazer diferente. Mas desta vez minha noite teve uma grande diferença. Depois de tentar 55 maneiras diferentes de deitar em duas cadeiras sem destruir a minha coluna que a esta altura já não tinha mais onde doer, resolvi ligar a tv. E qual não foi a minha surpresa ao saber que havia não só programas institucionais, como também um catalogo de 10 filmes, jogos, um cardápio bem grande de musicas para se escolher e montar seu próprio "Ipod" e claro, o mapa.. Aquele que fica geralmente em um telão a madrugada inteira... Ele fica todo disponível a quem quiser na sua própria tv, e com um diferencial: duas câmeras mostrando o que se passa do lado de fora da aeronave. Consegui ver a orla da Franca a hora que atravessamos o canal da mancha. Tudo ao acesso dos seus dedos no conforto da sua poltrona. Não é fantástico?
Assistindo três filmes nem vi o tempo passar quando os comissários gentilmente nos trouxeram as toalhinhas quentes para o café da manha.
A TAM e a equipe de bordo (em especial o sr. James, muito agradável, além do esperado) fizeram "a heck of a job". Sabe que eu quase pedi pra viajar mais um pouquinho? Talvez as 10 h não foram suficientes.
Parabéns TAM pelo prazer de voar.

domingo, janeiro 24, 2010

É.. tá bom... faz tempo que não escrevo mesmo. Tenho alguns textos aqui, mas todos na caneta, esperando o dia que virão para o mundo virtual.
Enquanto isso, não saindo do tema "viagens", uma bobagem que recebi na internet.


segunda-feira, agosto 13, 2007

O Café no passado, passado no café

Hoje vou escrever sobre um lugarzinho muito especial. Não só pra mim, mas certamente a muitos dos que por lá passam (e se tornam freqüentadores assíduos). Café Passado. Um lugar com gosto de passado, no presente, onde o tempo não passa.
Nas paredes e em todos os cantinhos fulguram várias relíquias - antiguidades que são um dos hobbies do Fernando - que dão o ar de passado ao lugar.
Correndo de um lado para o outro, recepcionando os novos e antigos clientes e fazendo quase todas as vontades gastronômicas dos presentes, vemos (ou quase não vemos) a Thereza.
Para os ouvidos, a melhor seleção de música instrumental escolhida a dedo pelo casal ( ahh.. o Fernando também é músico) que compõe o ambiente acolhedor.
A comida... bem, a comida é um capítulo a parte. Por mais que a maioria chegue por volta das 10 e saia as 13h, acho que é quase impossível comer de tudo. Fico pensando cá com meus botões (enquanto, claro, tomo um chocolate quente recém saído "do forno" trazido pela Thereza) nos coitados dos pãezinhos, que em meio a tantas outras coisas divertidas e deliciosas ficam ali paradinhos, de decoração, esperando a sua vez. Mas eu defenderia e diria: quem daria a vez a um pão francês em meio a tortas salgadas, doces, bolo de chocolate e de morango, cuscuz baiano, uma mesa só de frutas com sucos e iogurte, e a melhor das mesas - a Arlete preparando na hora cuscuz, tapioca, panqueca, waffle, omelete... Você também daria bola pros pãezinhos?
Todas as semanas a Thereza prepara quitutes diferentes "pra não ser sempre a mesma coisa" ela afirma, o que torna ainda mais impossível comer de tudo e não querer voltar para experimentar o resto.
A essa altura, quem está com fome já se pergunta onde é essa maravilha, ou se é tudo mentirinha. Não, não é mentirinha, nem é tão distante assim. Quem nunca ouviu falar, não sabe o que está perdendo ... tudo isso e mais um pouco acontece na própria varanda da casa da Thereza e do Fernando onde eles recebem os famintos aos sábados e domingos pela manhã.
Agora, com licença que a minha tapioca está esfriando.

quarta-feira, abril 25, 2007

Cronópios, Famas e Rayuela

Ultimamente meu hobby de algumas noites tem sido ir a algum café e tomar alguma coisa enquanto leio um livro. Minha intenção era de variar, mas quando a gente acha um muito bom, acaba viciando nele (e não dando chances a outros)... Bom, hoje finalmente saí da inércia e fui ao Rayuela, lugar muito bem falado e até premiado na Veja Brasília.
Quando cheguei ainda haviam poucas mesas ocupadas, com um público variando entre casais, grupos de amigos e alternativos. Fui prontamente recebida por uma mocinha muito educada que fez questão de me mostrar todos os 6 ambientes, todos muito acolhedores: Uma livraria com 4000 títulos, uma sala de estar, um lounge com lojinha de CD (que fazem parte da trilha sonora local, ela fez questão de resaltar), um restaurante, a área externa e uma taberna com adega (onde acontecem shows- tinha um de MPB/samba inclusive neste dia, marcado para 21h).
Causou-lhe estranheza o fato de pedir mesa pra 1. Talvez pelo Rayuela ter sido citado como melhor lugar pra se ir a dois, ou quem sabe não seja muito comum um ser observador pelas redondezas.
Ao sentar-me recebi um cardápio em forma de jornal, com reportagens e tudo. "Pode levar pra casa depois" me disse cortês o garçom. Aliás, se há um ponto que me chamou a atenção (além da seleção musical) foi a cortesia com que os clientes eram recebidos.
Por volta de 21:30 já havia fila de espera por uma mesa (neste momento percebi que os garçons se embananaram um pouco).
Os preços não são lá muito acessíveis, mas nada fora da realidade de Brasília. Todos os pratos recebem nome de obras literárias e, com raras excessões, são tão elaborados que dão água na boca (ou nó na cabeça) só de ler. Uma salada custa por volta de $23 , uma pizza de $14, um sanduíche de $16, refrigerante $3, cerveja $4...
Como a minha intenção era de não gastar muito e tomar um café, pedi empada (nada de excepcional, a não ser pela sacada de ser servida com um molho de azeite com pimenta.. hm) e um capuccino gelado que, talvez por ignorância do meu paladar achei extremamente aguado e sem nada de açúcar, perdendo de longe pra minha referência (certa ou não) do do Martinica.
Fui embora as 23h, mas antes passei na taberna pra ver como estava o show, que ainda não havia começado.
Me prometi voltar outro dia pra experimentar um Rosa do Povo, ou um Macunaíma, um Mrs. Dolloway... talvez com uma boa companhia pra sentar nos pufes do Lounge e bater um longo papo ao som dos Cds da lojinha.
Outras opiniões sobre o Rayuela:
http://www.candango.com.br/aplicacoes/materia/index.cfm?id_area=77&id_conteudo=4451

http://www.guiadasemana.com.br/detail.asp?/Rayuela_Livraria_e_Bistro/NOITE_&_GASTRONOMIA/BRASILIA/&a=1&ID=13&cd_place=18682&cd_city=38

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Un po di Napoli

Este foi um dos e-mails antigos que consegui resgatar. Foi escrito em maio de 2002, quando eu fui "morar" um mês em Napoli e trabalhar no hospital A. Cardarelli.

Lá embaixo está uma foto que tirei do maravilhoso Vesúvio.. =)



Ciao tutti!

Hoje escrevo um pouco sobre a cidade ...
Napoli é uma cidade grande e alguns chegam a compara-la ao Rio de janeiro pela posição na costa, pelo trânsito enlouquecedor e pela certa insegurança(aqui vc pode ser roubado).
Apesar de estar na costa, nao tem exatamente praia, tudo eh ocupado pelo porto ou por um calçadão (muito bonito por sinal). Para ir a praia eh necessário se deslocar a cidades próximas como Capri, Sorrento, Amalfi e Positano, Ischia...
O transito de Napoli é famoso... uma loucura.. eu não me arriscaria a aprender a dirigir aqui. Para os pedestres existem duas saídas. Ou um semáforo, ou ir atravessando a rua olhando fixamente para a cara de cada motorista que ameaçar jogar o carro em vc. Isso costuma funcionar, da um certo medo da primeira vez mas depois vc se acostuma. Os outros meios de transporte (metro,funicolare, onibus e tragheto ou aliscafo) sao muito bons. A linha 1 de metro foi inaugurada ha muito pouco tempo e as estacoes (algumas ainda em construcao) sao todas bem decoradas. Ainda nao abrange toda a cidade mas prometem que vao aumenta-la.
Do porto se pode pegar um tragheto ou aliscafo para as ilhas proximas ou para cidades costeiras como Sorrento.
Ha tb os famosos funicolares, que nada mais sao que metrôs na diagonal, sim, pq Napoli eh feita em tres patamares. No mais baixo esta a costa e o centro historico, na media eh aonde estou morando e na mais alta fica o hospital A. Cardarelli.
A comida tb eh um capitulo a parte. Napoli eh famosa por sua pizza. Eh do tamanho de uma pizza media no Brasil e eh pra uma pessoa. Como a massa eh muito fina, se tiver com uma certa fome ate da para come-la toda, caso contrario eh so pedir dividida ao meio. A mais simples eh a Margherita so com molho de tomate e mussarela (mas nao deixa de ser MUITO boa). Ha tb as
pizzas que vendem aos pedacos nos bares, essas com um dedo e meio de massa, em uns pedaços quadrados.
Os sorvetes tambem sao famosissimos e muito gostosos, de todos os tipos de sabores, e eles nao param de tomar nem com frio.
Existe algo muito interessante (nao sei se em toda a Europa, mas vi em outros lugares na italia) que eh o o jornal diario. Aqui chama-se Leggo Napoli e eh de graça, as pessoas pegam qndo vao ao metro, e se terminam de le-lo dentro do metro depositam na caixa de distribuicao na outra estacao para que outro possa le-lo. Hoje a grande manchete era "Rosso vergogna" (vermelho vergonha) falando do revoltante final da corrida de formula 1 de ontem.
Aqui, principalmente no centro historico, deve- se tomar cuidado com bolsas, relogios... Nao chega a ser perigosissimo... eu mesma nunca vi um roubo mas a Carla (uma das mexicanas) ja viu. Nao eh com arma nem nada, eh so no susto, batedor de carteira.
O custo aqui, como tenho visto em toda a Italia, eh um pouco alto. Um refri em lata custa mais ou menos 1,10; um pedaço de pizza 1,20; uma pizza margherita (a mais simples porem nao menos gostosa) 3,50 a 5,00; uma garrafinha de agua 0,80; um sorvete (da direito a 2 sabores) 1,40; um cartao telefonico para 1 hora de internet (nao sei quanto tempo da de conversacao local, com certeza mais do que isso) 5,00; o ticket para uma vez em metro, onibus ou funicolare 0,77 e para um mes 23,24. Todos esses precos estao em euros e eh uma
media, pois varia MUITO de lugar para lugar.

Bom, nao posso escrever mais agora, devo ir. Dopo scrivo piu anche di Sorrento (estivemos la ontem).

Bacino a tutti!
Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Paraguai

Pois bem, esta semana tive o prazer de experimentar a aventura de ir a Ciudad del Este, no Paraguai.
Pra começar não é nem um pouco recomendável ir de carro. Vá de van, a pé, de ônibus, taxi... Mas de carro não é a melhor opção. Deixe a loucura do trânsito pra quem está acostumado com ele. E não adianta dizer que no Rio, Sampa ou Goiânia é pior. Não é!
A primeira coisa que tive contato foi com a ponte da amizade.. a famosa. Além do trânsito caótico que não anda (a não ser para os milhares de mototaxis que passam zunindo pela esquerda como vespas enfezadas) já pude ver as pessoas andando apressadas em direção às compras. Várias. De todas as idades, de todos os jeitos.
Observando a cerca do lado esquerdo dá pra ver perfeitamente os buracos e os remendos mal feitos que logo são destruídos novamente. Mais a frente um senhor e mais uns dois ajudantes "demonstravam" o uso dos buracos: tranqüilamente jogavam mercadorias enroladas em plásticos pretos para o lado brasileiro lá embaixo da ponte. E ninguém via (ou fazia que não via).
Ao entrar realmente na cidade a impressão que se tinha era que o Tsunami tinha passado por ali: entulho, gente, carros, mais entulho, camelôs, motos, mais gente e mais entulho. A quantidade de gente e de camelôs faz lembrar ruas de grandes cidades na época de natal ( e olha que estamos no meio de janeiro).
Nas ruas oferece-se de tudo, por preços variáveis, em línguas mais diversas. "Tudo da melhor qualidade" afirma um vendedor, "o melhor precio, pode procurar", diz um outro em um portunhol enrolado. E a moeda que corre? A maioria dos preços são em dólares, mas com uma boa conversão e negociação paga-se em Reais, Guaranis ou Pesos. Encontram-se bolsas da Louis Vouiton em preços que variam de U$30 a U$100, laptops desde U$400 ( um usado que se podia comprar através de uma foto na loja) até precinhos bem salgados por modelos mais novos. Uma das lojas que entramos parecia uma loja de departamentos americana. Tinha de vinhos a vasos chineses passando por som pra carro.
Na volta esperamos nossa van numa garagem e ficamos observando a movimentação em volta. Uma quantidade de sacoleiros embrulhando, ensacando, guardando. Jovens e mais velhos. Muitos com pochetes, bermudas jeans e tênis. O mínimo necessário e mais confortável possível, para minimizar o calor e a possibilidade de roubo.
Na volta ficamos 2 horas parados no trânsito até passar pela aduana brasileira. E nesse engarrafamento via-se de tudo. Nos carros em volta haviam taxis, lotações, vans com três pessoas esmagadinhas num espaço mínimo que as mercadorias não ocuparam, e a grande maioria amassados, arranhados, batidos. Todos pareciam pequenos para caber a quantidade de coisas que iam dentro e grandes para a quantidade de automóveis que se afunilavam a cada metro. Colocar a mão pra fora ali seria uma automutilação. Pouco mais de um dedo passava entre os carros. Enquanto isso ambulantes ofereciam produtos pelas janelas: roscas de polvilho, melancia cortada, picolé, salgadinho, óculos de sol, cortador de unha, até esteto e esfigmo.
Estavamos já roxos de fome e resolvemos fazer umas compras pela janela da van. Esperei passar uma menina vendendo Pringles e a chamei perguntando quanto era. "Siete, siete". Nisso se aproximou outro menino também com um tubinho na mão me empurrando a batata e eu tentando negociar "por cinco, por cinco". "Cinco esta" e me deu uma similar com um nome que eu nunca ouvi antes. Pelo menos estava gostosa... na embalagem vinha escrito "made in Malasia".
A passagem pela aduana é uma loucura. Alguns poucos fiscais escolhendo alguns poucos automóveis a serem parados e revistados. Até porque, mesmo se tivessem muitos fiscais o fluxo é tão grande que seria impossível parar todos . As motos passam de uma a uma e as pessoas simplesmente passam (não vimos nem motos nem pessoas sendo paradas). Uma senhora nos chamou a atenção: no início da ponte um rapaz a entregou um pacote pequeno perfeitamente quadrado que ela, trêmula, colocou na mochila que carregava. Estava visivelmente transtornada, suava nervosa... Passou tranquilamente pela fiscalização. Nem o seu jeito desconfiado, nem o semblante transtornado fizeram-na ser parada.
Na saída um dos nossos colegas diz "quem vem ao Paraguai uma vez, volta."