quarta-feira, janeiro 26, 2005

Un po di Napoli

Este foi um dos e-mails antigos que consegui resgatar. Foi escrito em maio de 2002, quando eu fui "morar" um mês em Napoli e trabalhar no hospital A. Cardarelli.

Lá embaixo está uma foto que tirei do maravilhoso Vesúvio.. =)



Ciao tutti!

Hoje escrevo um pouco sobre a cidade ...
Napoli é uma cidade grande e alguns chegam a compara-la ao Rio de janeiro pela posição na costa, pelo trânsito enlouquecedor e pela certa insegurança(aqui vc pode ser roubado).
Apesar de estar na costa, nao tem exatamente praia, tudo eh ocupado pelo porto ou por um calçadão (muito bonito por sinal). Para ir a praia eh necessário se deslocar a cidades próximas como Capri, Sorrento, Amalfi e Positano, Ischia...
O transito de Napoli é famoso... uma loucura.. eu não me arriscaria a aprender a dirigir aqui. Para os pedestres existem duas saídas. Ou um semáforo, ou ir atravessando a rua olhando fixamente para a cara de cada motorista que ameaçar jogar o carro em vc. Isso costuma funcionar, da um certo medo da primeira vez mas depois vc se acostuma. Os outros meios de transporte (metro,funicolare, onibus e tragheto ou aliscafo) sao muito bons. A linha 1 de metro foi inaugurada ha muito pouco tempo e as estacoes (algumas ainda em construcao) sao todas bem decoradas. Ainda nao abrange toda a cidade mas prometem que vao aumenta-la.
Do porto se pode pegar um tragheto ou aliscafo para as ilhas proximas ou para cidades costeiras como Sorrento.
Ha tb os famosos funicolares, que nada mais sao que metrôs na diagonal, sim, pq Napoli eh feita em tres patamares. No mais baixo esta a costa e o centro historico, na media eh aonde estou morando e na mais alta fica o hospital A. Cardarelli.
A comida tb eh um capitulo a parte. Napoli eh famosa por sua pizza. Eh do tamanho de uma pizza media no Brasil e eh pra uma pessoa. Como a massa eh muito fina, se tiver com uma certa fome ate da para come-la toda, caso contrario eh so pedir dividida ao meio. A mais simples eh a Margherita so com molho de tomate e mussarela (mas nao deixa de ser MUITO boa). Ha tb as
pizzas que vendem aos pedacos nos bares, essas com um dedo e meio de massa, em uns pedaços quadrados.
Os sorvetes tambem sao famosissimos e muito gostosos, de todos os tipos de sabores, e eles nao param de tomar nem com frio.
Existe algo muito interessante (nao sei se em toda a Europa, mas vi em outros lugares na italia) que eh o o jornal diario. Aqui chama-se Leggo Napoli e eh de graça, as pessoas pegam qndo vao ao metro, e se terminam de le-lo dentro do metro depositam na caixa de distribuicao na outra estacao para que outro possa le-lo. Hoje a grande manchete era "Rosso vergogna" (vermelho vergonha) falando do revoltante final da corrida de formula 1 de ontem.
Aqui, principalmente no centro historico, deve- se tomar cuidado com bolsas, relogios... Nao chega a ser perigosissimo... eu mesma nunca vi um roubo mas a Carla (uma das mexicanas) ja viu. Nao eh com arma nem nada, eh so no susto, batedor de carteira.
O custo aqui, como tenho visto em toda a Italia, eh um pouco alto. Um refri em lata custa mais ou menos 1,10; um pedaço de pizza 1,20; uma pizza margherita (a mais simples porem nao menos gostosa) 3,50 a 5,00; uma garrafinha de agua 0,80; um sorvete (da direito a 2 sabores) 1,40; um cartao telefonico para 1 hora de internet (nao sei quanto tempo da de conversacao local, com certeza mais do que isso) 5,00; o ticket para uma vez em metro, onibus ou funicolare 0,77 e para um mes 23,24. Todos esses precos estao em euros e eh uma
media, pois varia MUITO de lugar para lugar.

Bom, nao posso escrever mais agora, devo ir. Dopo scrivo piu anche di Sorrento (estivemos la ontem).

Bacino a tutti!
Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Paraguai

Pois bem, esta semana tive o prazer de experimentar a aventura de ir a Ciudad del Este, no Paraguai.
Pra começar não é nem um pouco recomendável ir de carro. Vá de van, a pé, de ônibus, taxi... Mas de carro não é a melhor opção. Deixe a loucura do trânsito pra quem está acostumado com ele. E não adianta dizer que no Rio, Sampa ou Goiânia é pior. Não é!
A primeira coisa que tive contato foi com a ponte da amizade.. a famosa. Além do trânsito caótico que não anda (a não ser para os milhares de mototaxis que passam zunindo pela esquerda como vespas enfezadas) já pude ver as pessoas andando apressadas em direção às compras. Várias. De todas as idades, de todos os jeitos.
Observando a cerca do lado esquerdo dá pra ver perfeitamente os buracos e os remendos mal feitos que logo são destruídos novamente. Mais a frente um senhor e mais uns dois ajudantes "demonstravam" o uso dos buracos: tranqüilamente jogavam mercadorias enroladas em plásticos pretos para o lado brasileiro lá embaixo da ponte. E ninguém via (ou fazia que não via).
Ao entrar realmente na cidade a impressão que se tinha era que o Tsunami tinha passado por ali: entulho, gente, carros, mais entulho, camelôs, motos, mais gente e mais entulho. A quantidade de gente e de camelôs faz lembrar ruas de grandes cidades na época de natal ( e olha que estamos no meio de janeiro).
Nas ruas oferece-se de tudo, por preços variáveis, em línguas mais diversas. "Tudo da melhor qualidade" afirma um vendedor, "o melhor precio, pode procurar", diz um outro em um portunhol enrolado. E a moeda que corre? A maioria dos preços são em dólares, mas com uma boa conversão e negociação paga-se em Reais, Guaranis ou Pesos. Encontram-se bolsas da Louis Vouiton em preços que variam de U$30 a U$100, laptops desde U$400 ( um usado que se podia comprar através de uma foto na loja) até precinhos bem salgados por modelos mais novos. Uma das lojas que entramos parecia uma loja de departamentos americana. Tinha de vinhos a vasos chineses passando por som pra carro.
Na volta esperamos nossa van numa garagem e ficamos observando a movimentação em volta. Uma quantidade de sacoleiros embrulhando, ensacando, guardando. Jovens e mais velhos. Muitos com pochetes, bermudas jeans e tênis. O mínimo necessário e mais confortável possível, para minimizar o calor e a possibilidade de roubo.
Na volta ficamos 2 horas parados no trânsito até passar pela aduana brasileira. E nesse engarrafamento via-se de tudo. Nos carros em volta haviam taxis, lotações, vans com três pessoas esmagadinhas num espaço mínimo que as mercadorias não ocuparam, e a grande maioria amassados, arranhados, batidos. Todos pareciam pequenos para caber a quantidade de coisas que iam dentro e grandes para a quantidade de automóveis que se afunilavam a cada metro. Colocar a mão pra fora ali seria uma automutilação. Pouco mais de um dedo passava entre os carros. Enquanto isso ambulantes ofereciam produtos pelas janelas: roscas de polvilho, melancia cortada, picolé, salgadinho, óculos de sol, cortador de unha, até esteto e esfigmo.
Estavamos já roxos de fome e resolvemos fazer umas compras pela janela da van. Esperei passar uma menina vendendo Pringles e a chamei perguntando quanto era. "Siete, siete". Nisso se aproximou outro menino também com um tubinho na mão me empurrando a batata e eu tentando negociar "por cinco, por cinco". "Cinco esta" e me deu uma similar com um nome que eu nunca ouvi antes. Pelo menos estava gostosa... na embalagem vinha escrito "made in Malasia".
A passagem pela aduana é uma loucura. Alguns poucos fiscais escolhendo alguns poucos automóveis a serem parados e revistados. Até porque, mesmo se tivessem muitos fiscais o fluxo é tão grande que seria impossível parar todos . As motos passam de uma a uma e as pessoas simplesmente passam (não vimos nem motos nem pessoas sendo paradas). Uma senhora nos chamou a atenção: no início da ponte um rapaz a entregou um pacote pequeno perfeitamente quadrado que ela, trêmula, colocou na mochila que carregava. Estava visivelmente transtornada, suava nervosa... Passou tranquilamente pela fiscalização. Nem o seu jeito desconfiado, nem o semblante transtornado fizeram-na ser parada.
Na saída um dos nossos colegas diz "quem vem ao Paraguai uma vez, volta."