terça-feira, dezembro 06, 2011

Minha (re) descoberta da Tam

Eu já viajei um bocado. Voos nacionais e internacionais. E quem viaja de classe econômica já sabe o que vai lhe esperar: cadeiras apertadas, uma noite insone, comissários educados e impessoais.. Se der muita sorte talvez um kit com escova de dentes.Bem, desta vez que comprei a passagem em uma big promoção, certamente não seria diferente. Na verdade, já me preparei para uma noite ultra desconfortável como foi meu ultimo voo para os EUA em um 727 que no Brasil faz apenas voos interestaduais.
Qual não foi a minha surpresa em perceber que a TAM esta diferente de alguma forma. Prestaram atenção em pequenos detalhes (e grandes também) que fazem a sua viagem muito mais prazerosa. Afinal, as ferias começam e terminam geralmente em um avião, então, a sua boa experiência deve começar exatamente por ai, como diriam os designers.
Logo na entrada uma grande surpresa, minha perna cabia perfeitamente no banco e ainda sobrava espaço, coisa rara no mundo atual da aviação. A minha frente uma televisão individual (que seria minha grande companheira da noite) e os comissários oferecendo água e balinha.
O serviço foi fora do comum. Todos os comissários muito bem humorados traziam pequenos mimos que, junto com a minha maravilhosa cadeira espaçosa com televisão, me fizeram sentir em classe executiva.
A noite não saiu muito da rotina insone. Os passageiros com um pouco mais de sorte que pegaram cadeiras no meio puderam deitar (o voo estava pela metade), eu fiquei sentadinha tentando achar posição entre duas cadeiras, como todo mundo já fez algum dia na vida, não conseguiu e ainda acha que pode fazer diferente. Mas desta vez minha noite teve uma grande diferença. Depois de tentar 55 maneiras diferentes de deitar em duas cadeiras sem destruir a minha coluna que a esta altura já não tinha mais onde doer, resolvi ligar a tv. E qual não foi a minha surpresa ao saber que havia não só programas institucionais, como também um catalogo de 10 filmes, jogos, um cardápio bem grande de musicas para se escolher e montar seu próprio "Ipod" e claro, o mapa.. Aquele que fica geralmente em um telão a madrugada inteira... Ele fica todo disponível a quem quiser na sua própria tv, e com um diferencial: duas câmeras mostrando o que se passa do lado de fora da aeronave. Consegui ver a orla da Franca a hora que atravessamos o canal da mancha. Tudo ao acesso dos seus dedos no conforto da sua poltrona. Não é fantástico?
Assistindo três filmes nem vi o tempo passar quando os comissários gentilmente nos trouxeram as toalhinhas quentes para o café da manha.
A TAM e a equipe de bordo (em especial o sr. James, muito agradável, além do esperado) fizeram "a heck of a job". Sabe que eu quase pedi pra viajar mais um pouquinho? Talvez as 10 h não foram suficientes.
Parabéns TAM pelo prazer de voar.

domingo, janeiro 24, 2010

É.. tá bom... faz tempo que não escrevo mesmo. Tenho alguns textos aqui, mas todos na caneta, esperando o dia que virão para o mundo virtual.
Enquanto isso, não saindo do tema "viagens", uma bobagem que recebi na internet.


segunda-feira, agosto 13, 2007

O Café no passado, passado no café

Hoje vou escrever sobre um lugarzinho muito especial. Não só pra mim, mas certamente a muitos dos que por lá passam (e se tornam freqüentadores assíduos). Café Passado. Um lugar com gosto de passado, no presente, onde o tempo não passa.
Nas paredes e em todos os cantinhos fulguram várias relíquias - antiguidades que são um dos hobbies do Fernando - que dão o ar de passado ao lugar.
Correndo de um lado para o outro, recepcionando os novos e antigos clientes e fazendo quase todas as vontades gastronômicas dos presentes, vemos (ou quase não vemos) a Thereza.
Para os ouvidos, a melhor seleção de música instrumental escolhida a dedo pelo casal ( ahh.. o Fernando também é músico) que compõe o ambiente acolhedor.
A comida... bem, a comida é um capítulo a parte. Por mais que a maioria chegue por volta das 10 e saia as 13h, acho que é quase impossível comer de tudo. Fico pensando cá com meus botões (enquanto, claro, tomo um chocolate quente recém saído "do forno" trazido pela Thereza) nos coitados dos pãezinhos, que em meio a tantas outras coisas divertidas e deliciosas ficam ali paradinhos, de decoração, esperando a sua vez. Mas eu defenderia e diria: quem daria a vez a um pão francês em meio a tortas salgadas, doces, bolo de chocolate e de morango, cuscuz baiano, uma mesa só de frutas com sucos e iogurte, e a melhor das mesas - a Arlete preparando na hora cuscuz, tapioca, panqueca, waffle, omelete... Você também daria bola pros pãezinhos?
Todas as semanas a Thereza prepara quitutes diferentes "pra não ser sempre a mesma coisa" ela afirma, o que torna ainda mais impossível comer de tudo e não querer voltar para experimentar o resto.
A essa altura, quem está com fome já se pergunta onde é essa maravilha, ou se é tudo mentirinha. Não, não é mentirinha, nem é tão distante assim. Quem nunca ouviu falar, não sabe o que está perdendo ... tudo isso e mais um pouco acontece na própria varanda da casa da Thereza e do Fernando onde eles recebem os famintos aos sábados e domingos pela manhã.
Agora, com licença que a minha tapioca está esfriando.

quarta-feira, abril 25, 2007

Cronópios, Famas e Rayuela

Ultimamente meu hobby de algumas noites tem sido ir a algum café e tomar alguma coisa enquanto leio um livro. Minha intenção era de variar, mas quando a gente acha um muito bom, acaba viciando nele (e não dando chances a outros)... Bom, hoje finalmente saí da inércia e fui ao Rayuela, lugar muito bem falado e até premiado na Veja Brasília.
Quando cheguei ainda haviam poucas mesas ocupadas, com um público variando entre casais, grupos de amigos e alternativos. Fui prontamente recebida por uma mocinha muito educada que fez questão de me mostrar todos os 6 ambientes, todos muito acolhedores: Uma livraria com 4000 títulos, uma sala de estar, um lounge com lojinha de CD (que fazem parte da trilha sonora local, ela fez questão de resaltar), um restaurante, a área externa e uma taberna com adega (onde acontecem shows- tinha um de MPB/samba inclusive neste dia, marcado para 21h).
Causou-lhe estranheza o fato de pedir mesa pra 1. Talvez pelo Rayuela ter sido citado como melhor lugar pra se ir a dois, ou quem sabe não seja muito comum um ser observador pelas redondezas.
Ao sentar-me recebi um cardápio em forma de jornal, com reportagens e tudo. "Pode levar pra casa depois" me disse cortês o garçom. Aliás, se há um ponto que me chamou a atenção (além da seleção musical) foi a cortesia com que os clientes eram recebidos.
Por volta de 21:30 já havia fila de espera por uma mesa (neste momento percebi que os garçons se embananaram um pouco).
Os preços não são lá muito acessíveis, mas nada fora da realidade de Brasília. Todos os pratos recebem nome de obras literárias e, com raras excessões, são tão elaborados que dão água na boca (ou nó na cabeça) só de ler. Uma salada custa por volta de $23 , uma pizza de $14, um sanduíche de $16, refrigerante $3, cerveja $4...
Como a minha intenção era de não gastar muito e tomar um café, pedi empada (nada de excepcional, a não ser pela sacada de ser servida com um molho de azeite com pimenta.. hm) e um capuccino gelado que, talvez por ignorância do meu paladar achei extremamente aguado e sem nada de açúcar, perdendo de longe pra minha referência (certa ou não) do do Martinica.
Fui embora as 23h, mas antes passei na taberna pra ver como estava o show, que ainda não havia começado.
Me prometi voltar outro dia pra experimentar um Rosa do Povo, ou um Macunaíma, um Mrs. Dolloway... talvez com uma boa companhia pra sentar nos pufes do Lounge e bater um longo papo ao som dos Cds da lojinha.
Outras opiniões sobre o Rayuela:
http://www.candango.com.br/aplicacoes/materia/index.cfm?id_area=77&id_conteudo=4451

http://www.guiadasemana.com.br/detail.asp?/Rayuela_Livraria_e_Bistro/NOITE_&_GASTRONOMIA/BRASILIA/&a=1&ID=13&cd_place=18682&cd_city=38

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Un po di Napoli

Este foi um dos e-mails antigos que consegui resgatar. Foi escrito em maio de 2002, quando eu fui "morar" um mês em Napoli e trabalhar no hospital A. Cardarelli.

Lá embaixo está uma foto que tirei do maravilhoso Vesúvio.. =)



Ciao tutti!

Hoje escrevo um pouco sobre a cidade ...
Napoli é uma cidade grande e alguns chegam a compara-la ao Rio de janeiro pela posição na costa, pelo trânsito enlouquecedor e pela certa insegurança(aqui vc pode ser roubado).
Apesar de estar na costa, nao tem exatamente praia, tudo eh ocupado pelo porto ou por um calçadão (muito bonito por sinal). Para ir a praia eh necessário se deslocar a cidades próximas como Capri, Sorrento, Amalfi e Positano, Ischia...
O transito de Napoli é famoso... uma loucura.. eu não me arriscaria a aprender a dirigir aqui. Para os pedestres existem duas saídas. Ou um semáforo, ou ir atravessando a rua olhando fixamente para a cara de cada motorista que ameaçar jogar o carro em vc. Isso costuma funcionar, da um certo medo da primeira vez mas depois vc se acostuma. Os outros meios de transporte (metro,funicolare, onibus e tragheto ou aliscafo) sao muito bons. A linha 1 de metro foi inaugurada ha muito pouco tempo e as estacoes (algumas ainda em construcao) sao todas bem decoradas. Ainda nao abrange toda a cidade mas prometem que vao aumenta-la.
Do porto se pode pegar um tragheto ou aliscafo para as ilhas proximas ou para cidades costeiras como Sorrento.
Ha tb os famosos funicolares, que nada mais sao que metrôs na diagonal, sim, pq Napoli eh feita em tres patamares. No mais baixo esta a costa e o centro historico, na media eh aonde estou morando e na mais alta fica o hospital A. Cardarelli.
A comida tb eh um capitulo a parte. Napoli eh famosa por sua pizza. Eh do tamanho de uma pizza media no Brasil e eh pra uma pessoa. Como a massa eh muito fina, se tiver com uma certa fome ate da para come-la toda, caso contrario eh so pedir dividida ao meio. A mais simples eh a Margherita so com molho de tomate e mussarela (mas nao deixa de ser MUITO boa). Ha tb as
pizzas que vendem aos pedacos nos bares, essas com um dedo e meio de massa, em uns pedaços quadrados.
Os sorvetes tambem sao famosissimos e muito gostosos, de todos os tipos de sabores, e eles nao param de tomar nem com frio.
Existe algo muito interessante (nao sei se em toda a Europa, mas vi em outros lugares na italia) que eh o o jornal diario. Aqui chama-se Leggo Napoli e eh de graça, as pessoas pegam qndo vao ao metro, e se terminam de le-lo dentro do metro depositam na caixa de distribuicao na outra estacao para que outro possa le-lo. Hoje a grande manchete era "Rosso vergogna" (vermelho vergonha) falando do revoltante final da corrida de formula 1 de ontem.
Aqui, principalmente no centro historico, deve- se tomar cuidado com bolsas, relogios... Nao chega a ser perigosissimo... eu mesma nunca vi um roubo mas a Carla (uma das mexicanas) ja viu. Nao eh com arma nem nada, eh so no susto, batedor de carteira.
O custo aqui, como tenho visto em toda a Italia, eh um pouco alto. Um refri em lata custa mais ou menos 1,10; um pedaço de pizza 1,20; uma pizza margherita (a mais simples porem nao menos gostosa) 3,50 a 5,00; uma garrafinha de agua 0,80; um sorvete (da direito a 2 sabores) 1,40; um cartao telefonico para 1 hora de internet (nao sei quanto tempo da de conversacao local, com certeza mais do que isso) 5,00; o ticket para uma vez em metro, onibus ou funicolare 0,77 e para um mes 23,24. Todos esses precos estao em euros e eh uma
media, pois varia MUITO de lugar para lugar.

Bom, nao posso escrever mais agora, devo ir. Dopo scrivo piu anche di Sorrento (estivemos la ontem).

Bacino a tutti!
Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Paraguai

Pois bem, esta semana tive o prazer de experimentar a aventura de ir a Ciudad del Este, no Paraguai.
Pra começar não é nem um pouco recomendável ir de carro. Vá de van, a pé, de ônibus, taxi... Mas de carro não é a melhor opção. Deixe a loucura do trânsito pra quem está acostumado com ele. E não adianta dizer que no Rio, Sampa ou Goiânia é pior. Não é!
A primeira coisa que tive contato foi com a ponte da amizade.. a famosa. Além do trânsito caótico que não anda (a não ser para os milhares de mototaxis que passam zunindo pela esquerda como vespas enfezadas) já pude ver as pessoas andando apressadas em direção às compras. Várias. De todas as idades, de todos os jeitos.
Observando a cerca do lado esquerdo dá pra ver perfeitamente os buracos e os remendos mal feitos que logo são destruídos novamente. Mais a frente um senhor e mais uns dois ajudantes "demonstravam" o uso dos buracos: tranqüilamente jogavam mercadorias enroladas em plásticos pretos para o lado brasileiro lá embaixo da ponte. E ninguém via (ou fazia que não via).
Ao entrar realmente na cidade a impressão que se tinha era que o Tsunami tinha passado por ali: entulho, gente, carros, mais entulho, camelôs, motos, mais gente e mais entulho. A quantidade de gente e de camelôs faz lembrar ruas de grandes cidades na época de natal ( e olha que estamos no meio de janeiro).
Nas ruas oferece-se de tudo, por preços variáveis, em línguas mais diversas. "Tudo da melhor qualidade" afirma um vendedor, "o melhor precio, pode procurar", diz um outro em um portunhol enrolado. E a moeda que corre? A maioria dos preços são em dólares, mas com uma boa conversão e negociação paga-se em Reais, Guaranis ou Pesos. Encontram-se bolsas da Louis Vouiton em preços que variam de U$30 a U$100, laptops desde U$400 ( um usado que se podia comprar através de uma foto na loja) até precinhos bem salgados por modelos mais novos. Uma das lojas que entramos parecia uma loja de departamentos americana. Tinha de vinhos a vasos chineses passando por som pra carro.
Na volta esperamos nossa van numa garagem e ficamos observando a movimentação em volta. Uma quantidade de sacoleiros embrulhando, ensacando, guardando. Jovens e mais velhos. Muitos com pochetes, bermudas jeans e tênis. O mínimo necessário e mais confortável possível, para minimizar o calor e a possibilidade de roubo.
Na volta ficamos 2 horas parados no trânsito até passar pela aduana brasileira. E nesse engarrafamento via-se de tudo. Nos carros em volta haviam taxis, lotações, vans com três pessoas esmagadinhas num espaço mínimo que as mercadorias não ocuparam, e a grande maioria amassados, arranhados, batidos. Todos pareciam pequenos para caber a quantidade de coisas que iam dentro e grandes para a quantidade de automóveis que se afunilavam a cada metro. Colocar a mão pra fora ali seria uma automutilação. Pouco mais de um dedo passava entre os carros. Enquanto isso ambulantes ofereciam produtos pelas janelas: roscas de polvilho, melancia cortada, picolé, salgadinho, óculos de sol, cortador de unha, até esteto e esfigmo.
Estavamos já roxos de fome e resolvemos fazer umas compras pela janela da van. Esperei passar uma menina vendendo Pringles e a chamei perguntando quanto era. "Siete, siete". Nisso se aproximou outro menino também com um tubinho na mão me empurrando a batata e eu tentando negociar "por cinco, por cinco". "Cinco esta" e me deu uma similar com um nome que eu nunca ouvi antes. Pelo menos estava gostosa... na embalagem vinha escrito "made in Malasia".
A passagem pela aduana é uma loucura. Alguns poucos fiscais escolhendo alguns poucos automóveis a serem parados e revistados. Até porque, mesmo se tivessem muitos fiscais o fluxo é tão grande que seria impossível parar todos . As motos passam de uma a uma e as pessoas simplesmente passam (não vimos nem motos nem pessoas sendo paradas). Uma senhora nos chamou a atenção: no início da ponte um rapaz a entregou um pacote pequeno perfeitamente quadrado que ela, trêmula, colocou na mochila que carregava. Estava visivelmente transtornada, suava nervosa... Passou tranquilamente pela fiscalização. Nem o seu jeito desconfiado, nem o semblante transtornado fizeram-na ser parada.
Na saída um dos nossos colegas diz "quem vem ao Paraguai uma vez, volta."